Dicas para quem pretende fazer uma tatuagem

Que cuidados devo ter ao resolver fazer uma tatuagem?

Primeiro ter certeza desta decisão. Muitas pessoas que realizam tatuagem por impulso se arrependem futuramente.

Os principais motivos de arrependimento são:

Profissional. Muitos concursos públicos principalmente os de carreira militar apresentam ressalvas no edital para candidatos tatuados. Dependendo do caso o candidato pode ser eliminado ou ter que remover a tatuagem. Além disso muitas pessoas fazem a tatuagem na adolescência quando ainda não sabem que rumo profissional que irão tomar e dependendo da profissão ou cargo que assumem passam a achar a tatuagem incompatível com a sua posição profissional.

Pessoal. Muitas pessoas tatuadas acabam achando que o desenho ficou grande , que ficou em uma área muito exposta do corpo ou que aquele símbolo “saiu de moda’’ ou perderam o significado da época em que foi feito. Existem também os casos de tatuar nome de namorado(a), esposa ou marido e com o término do relacionamento surgir a necessidade de remover a tatuagem.

Técnico: Pode acontecer da tatuagem ficar torta, borrada ou exagerada se não houver escolha correta e diálogo com o tatuador. Pode também ocorrer modificações no desenho caso haja grande variação no peso corporal e com o envelhecimento da pele.

Se houver certeza e consciência na realização da tatuagem deve-se escolher um local adequado e que cumpra todas as normas da vigilância sanitária. Escolha sempre um local que use técnica antisséptica adequada, materiais de boa qualidade e agulhas descartáveis.

Não faça por impulso e em um lugar onde você não conheça ou não tenha boa referência

Nos EUA, uma em cada quatro pessoas com idade de entre 18-50 anos são tatuadas e 11.8 milhões (17%) desejam remover sua tatuagem. No Brasil ainda não existe uma estatística bem definida.

Que complicações posso ter fazendo uma tatuagem?

A primeira e mais grave é a transmissão de doenças contagiosas como hepatite e AIDS. Por isso é impreterível a escolha de um local adequado e a certeza de usar material descartável ou esterilizado.

A escarificação da pele provocada pelas agulhas ao tatuar pode ser porta de entrada para bactérias levando a infecção do local. Mais uma vez é importante observar os materiais utilizados e seguir os  cuidados adequados após a realização da tatuagem.

Dependendo da técnica usada, localização anatômica, tipo de pele e tendência individual a tatuagem pode provocar cicatrizes hipertróficas (em alto relevo) ou até queloides. Esta complicação é mais comum em pessoas de pele mais escura (mulatos e negros) e em áreas como no colo, no seio, nas costas e nos braços. É também mais frequente em quem tenha história prévia de cicatrizes largas, altas ou queloides provocadas por traumas ou cirurgias pregressas.

Outra complicação, ainda que mais rara , é a rejeição ou alergia ao pigmento. É mais frequente com o pigmento vermelho e se manifesta com vermelhidão, erupção e descamação alguns dias após a realização da tatuagem. Não se tem como prever se a pessoa terá ou não este tipo de reação. Se houver alguma suspeita pode ser feito um teste colocando pequena quantidade do pigmento na pele e observando a sua reação antes de fazer a tatuagem toda ou de preencher o desenho com cor. Alguns casos poderão ser tratados pelo seu dermatologista, mas em torno de 20% dos casos será necessário remover o pigmento.

Quais são as alternativas para remoção da tatuagem e suas complicações?

A tatuagem pode ser removida com crioterapia, dermoabrasão, cirurgia excisional e laser.

A crioterapia é o congelamento da pele com nitrogênio líquido. Não tem seletividade pelas células que contem o pigmento. Por agredir todas as células da pele existe um maior risco de hipocromia (manchas branca) e de formação de cicatrizes.

A dermoabrasão é o lixamento da pele. Também é um método não seletivo, portanto com maior possibilidade de deixar cicatrizes. No entanto é um dos métodos mais rápidos e a chance de deixar cicatriz pode ser minimizada optando-se por realizar uma dermoabrasão mais superficial. Pode ser uma alternativa interessante para quem optar por uma remoção mais rápida e não se importar com maior risco de cicatriz.

A cirurgia excisional é a retirada da pele tatuada e o fechamento por sutura (pontos). Para tatuagens grandes o fechamento direto pode ser inviável sendo necessário a rotação de um retalho ou até mesmo a colocação de um enxerto, nestes casos ampliando o tamanho da cicatriz e modificando a textura da pele. Pode ser um método interessante para uma tatuagem pequena, que esteja em um área que tenha sobra de pele, para quem optar por uma remoção mais rápida e não se importar com a cicatriz cirúrgica.

O laser é uma fonte de luz que é absorvida seletivamente pelo pigmento da tatuagem fragmentando-o em partículas menores que nosso organismo terá mais facilidade para eliminar. Devido a seletividade deste método ele é o que apresenta menor probabilidade de deixar cicatrizes e manchas. Entretanto não se pode garantir a eliminação completa da tatuagem, especialmente se ela for profissional, multicolorida e localizada nas extremidades (mão e pés). O laser tem eficácia diferente para cada tipo de cor. É mais eficaz para o preto e menos para o azul e amarelo. Alguns aparelhos não conseguem remover o verde e outros não conseguem remover o vermelho, muitas vezes fazendo com que seja necessário o uso das duas tecnologias para chegar ao melhor resultado possível. Atualmente existem dois aparelhos mais especializados na remoção de tatuagem: NdYAG Q-Switched e o Rubi laser. Embora a tecnologia tenha evoluído muito ainda existem casos difíceis de serem completamente removidos. Pode ocorrer remoção incompleta da tatuagem e mais raramente manchas e mudança de cor pela oxidação do pigmento ao contato com a luz do laser. Deve ser evitado contato com o sol na área a ser tratada trinta dias antes e duas semanas após a sessão. Em media serão necessárias de 5 a 10 sessões para se atingir os melhores resultados.